Programas sanitários · PECRH

Raiva dos herbívoros: não tem cura, tem vacina

A raiva mata todo animal que adoece, e pode matar gente também. No campo quem transmite é o morcego que se alimenta de sangue. O Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros (PECRH) investiga cada suspeita, vacina em volta dos focos, monitora os abrigos de morcegos e ensina o produtor a proteger o rebanho.

Reconhecer os sinais Vacinar o rebanho

Mascote do PECRH: um morcego de colete verde e boné, com escudo de proteção do rebanho

Achou ferida redonda no pescoço do gado? Pode ser morcego. Avise a ADAGRO!

  • 59 investigações de animais com sinais nervosos
  • 59 exames de raiva no laboratório oficial
  • 14 focos confirmados, a maioria no Sertão do Araripe, no Pajeú, na Mata Norte e no Agreste
  • 12 km de raio de vacinação em volta de cada foco

Dados de 2025, do Relatório Anual da Defesa Animal. Os exames foram feitos no LABVET (Agrodefesa-GO): 45 bovinos, 6 ovinos, 3 jumentos, 2 cavalos, 1 mula, 1 cabra e 1 morcego. Em 2024 foram 3 focos. O raio de 12 km é o usado no atendimento do foco de Pombos, em 2025.

Quem transmite

Nem todo morcego é o problema

O Brasil tem mais de 180 espécies de morcegos, e só três se alimentam de sangue. A que transmite a raiva ao gado é o Desmodus rotundus. Os outros comem frutas, néctar ou insetos, espalham sementes, polinizam e controlam pragas, e precisam ser preservados.

  • Come frutas e néctar

    Planta floresta sem ninguém ver: espalha sementes e poliniza flores. Não ataca o rebanho.

  • Come insetos

    Um só come centenas de insetos por noite, incluindo mosquitos e pragas da lavoura. Não ataca o rebanho.

  • Se alimenta de sangue

    O Desmodus rotundus morde à noite, no pescoço, no dorso ou na paleta, e deixa uma ferida redonda que sangra. É ele que leva o vírus de um animal para outro.

Não mexa nos morcegos. Não tente capturar, matar ou aplicar produtos neles, e não destrua abrigos. Isso espalha a colônia e pode piorar o problema. O controle é feito só pelo Serviço Veterinário Oficial, de forma seletiva, sobre o morcego hematófago. A sua parte é avisar onde há mordidas e abrigos.

Reconhecer os sinais

Em até dez dias, do primeiro sinal ao fim

A raiva ataca o sistema nervoso. Depois que os sinais aparecem, a doença costuma durar no máximo dez dias e é sempre fatal. Qualquer animal com sinais nervosos precisa ser comunicado.

  1. Início Muda o jeito O animal se isola, fica agitado ou agressivo, e para de comer.
  2. Depois Baba e não engole Salivação em excesso e dificuldade para engolir. Parece que tem algo engasgado.
  3. Avança Anda cambaleando Tropeça, arrasta as patas, cai. Deitado, faz movimentos de pedalar.
  4. Fim Paralisia e morte A paralisia toma o corpo. Não existe tratamento depois dos sinais.
  • Marcas de mordida: feridas redondas no pescoço, no dorso ou na paleta, com sangue escorrido.
  • Morte súbita: principalmente se houve sinais nervosos antes ou marcas de mordida.
  • Morcego fora do normal: voando de dia, caído no chão, morto ou em lugar estranho.

Notificação imediata

Suspeitou? Não toque no animal.

A raiva é de notificação obrigatória e imediata (IN MAPA nº 50/2013). Avise a ADAGRO pessoalmente, por telefone ou pelo gov.br.

Como notificar Notificar pela internet

Alguém foi mordido, arranhado ou teve contato com a saliva? Lave o local com bastante água e sabão e procure uma unidade de saúde na hora. A raiva nas pessoas se previne com vacina, mas só se for rápido.

Até a ADAGRO chegar

  • Não abra, não corte, não enterre e não transporte o animal morto.
  • Não coloque a mão na boca do animal procurando engasgo.
  • Afaste pessoas, cães e outros animais.
  • Não movimente o resto do rebanho.
  • Anote a espécie, os sinais e quantos animais estão doentes.

Um caso real

O foco de Pombos, em 2025

Um bovino com suspeita de raiva, uma notificação e uma resposta que foi muito além da propriedade.

  1. 20/05 A ADAGRO é notificada. A Unidade Regional vai à propriedade e colhe material do cérebro do bovino.
  2. 30/05 O laboratório oficial de referência (LABVET-GO) confirma a raiva.
  3. 03/06 A Secretaria Municipal de Saúde é acionada e orienta as pessoas que tiveram contato com o animal.
  4. Vacina Vacinação num raio de 12 km: 1.949 animais em Vitória de Santo Antão, 137 em Amaraji e 132 em Pombos. A prefeitura comprou 3.000 doses para os pequenos produtores.
  5. 90 dias Vigilância reforçada em Pombos, Amaraji, Moreno, Vitória de Santo Antão e Chã Grande, com palestra para produtores e orientação nas rádios locais.

Ler a Nota Técnica GEDA nº 01/2025

Portaria ADAGRO nº 068/2025

Teve foco perto? A vacina passa a ser obrigatória

Quando a raiva é confirmada, a ADAGRO delimita um perímetro em volta do foco. Dentro dele, todo herbívoro tem de ser vacinado, e o produtor precisa comprovar a vacinação.

  • Quem Bovinos, búfalos, ovinos, caprinos, cavalos, mulas e jumentos a partir de 3 meses
  • Prazo 90 dias para vacinar todo o rebanho do perímetro
  • Reforço Segunda dose 30 dias depois da primeira; depois, vacina todo ano
  • Comprovar Declarar à ADAGRO em até 30 dias, com nota fiscal ou documento do veterinário

Em vigor · julho de 2026

Foco em Bezerros: seis municípios vacinam até 22 de outubro

Depois da confirmação de raiva em um cavalo em Bezerros, a vacinação ficou obrigatória em Bezerros, Camocim de São Félix, Caruaru, Cumaru, Riacho das Almas e Sairé. O prazo vai até 22 de outubro de 2026.

Em julho, a ADAGRO informou 9 focos de raiva confirmados no estado em 2026.

Proteger o rebanho

A vacina é a única proteção

Depois dos sinais não há cura, então a proteção vem antes. O programa nacional recomenda vacinar todo ano os herbívoros com mais de três meses nas áreas de risco. Em volta de um foco a vacinação é obrigatória, pela Portaria ADAGRO nº 068/2025.

  • Quem Bovinos, búfalos e equídeos com mais de 3 meses
  • Quando Uma vez por ano, e reforço na primeira vacinação, como o veterinário orientar
  • Vacina De vírus inativado. Não causa a doença
  • Conservação Na geladeira, entre 2 °C e 8 °C. Nunca congelar

Nota Técnica · junho de 2026

Sem cadastro? A loja não pode negar a vacina.

Nenhum animal pode ficar sem vacina por falta de papel. A revenda agropecuária é proibida de recusar a venda da vacina antirrábica porque o comprador não está cadastrado no SIAPEC. Ela preenche um formulário na hora (CPF, telefone, propriedade de destino e número de doses) e manda para a ADAGRO.

Depois, o dono do rebanho deve procurar o escritório da ADAGRO para fazer ou atualizar o cadastro. O formulário é temporário e não substitui o cadastro.

O que o programa faz

Seis frentes contra a raiva

O PECRH segue o Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (IN MAPA nº 5/2002) e cuida também da vigilância da encefalopatia espongiforme bovina (vaca louca), que tem os mesmos sinais nervosos.

  • 1

    Atender as suspeitas

    Ir à propriedade, examinar e colher material para o laboratório.

  • 2

    Responder aos focos

    Vacinação em volta do foco, busca de animais mordidos e aviso à saúde pública.

  • 3

    Monitorar abrigos

    Cadastrar no SIAPEC as grutas, casas velhas e bueiros com morcegos hematófagos e revisitar cada um.

  • 4

    Controlar o transmissor

    Captura seletiva e pasta vampiricida no dorso do morcego hematófago, que leva o produto de volta para a colônia.

  • 5

    Fiscalizar a vacina

    Acompanhar a venda de vacina antirrábica nas revendas e usar esses dados para achar rebanhos sem cadastro.

  • 6

    Ensinar

    Palestras, rádio e visitas para o produtor saber reconhecer, vacinar e avisar.

Coordenação do programa

PECRH · Gerência de Defesa Animal

Coordenadora: Maíra Rodrigues Dourado, fiscal estadual agropecuária e médica veterinária.

(81) 3181-4516 Conhecer a GEDA