Programas sanitários · PESS
Suínos: a doença entra pela porta que fica aberta
Quase todos os porcos de Pernambuco estão em criações pequenas, no quintal ou no sítio. É ali que as pestes suínas costumam entrar: pela lavagem, pelo porco comprado sem GTA, pelo lixão ao lado. O Programa Estadual de Sanidade dos Suínos (PESS) vigia essas criações, controla o trânsito e ensina o produtor a fechar cada porta.
Lavagem com resto de carne? Isso pode trazer a peste. Não dê!
- 648.465 suínos cadastrados na ADAGRO
- 30.183 propriedades que criam suínos
- 680 propriedades fiscalizadas, priorizando áreas de risco
- 0 animais com síndrome hemorrágica encontrados
Dados de 2025, do Relatório Anual da Defesa Animal. Das propriedades, 27.602 são de subsistência, 2.516 comerciais não tecnificadas e 65 tecnificadas. Pernambuco é o quinto maior produtor de suínos do Nordeste, segundo o IBGE.
Quem cria suínos em Pernambuco
De cada mil criações, só duas são granjas tecnificadas
Das 30.183 propriedades com suínos cadastradas até o fim de 2025, 30.118 são criações não tecnificadas (27.602 de subsistência): poucos animais, pouca estrutura, muitas vezes sem veterinário. Só 65 são granjas tecnificadas, 15 delas em Capoeiras. Por isso a vigilância do PESS vai ao sítio e ao quintal, e não só às granjas.
- 30.118 não tecnificadas
- 65 tecnificadas
Doenças vigiadas
As quatro que não podem entrar
Nenhuma teve caso em Pernambuco em 2024 e 2025, segundo o Serviço Veterinário Estadual. Todas são de notificação obrigatória.
- PSC
Peste suína clássica
Vírus que causa febre, manchas roxas na pele e morte. Pernambuco fica numa zona que ainda não é reconhecida como livre de PSC. O Plano Brasil Livre de PSC quer mudar isso.
Em Pernambuco: nenhum caso detectado
- PSA
Peste suína africana
Mata quase todo porco que pega e não tem vacina. Foi erradicada do Brasil nos anos 1980, mas voltou às Américas em 2021, no Haiti e na República Dominicana.
Em Pernambuco: nenhum caso
- DA
Doença de Aujeszky
Vírus que causa sinais nervosos em leitões, aborto e problemas respiratórios. No Brasil houve caso no Paraná em 2018.
Em Pernambuco: nunca registrada
- PRRS
Síndrome reprodutiva e respiratória
Causa aborto, leitões fracos e pneumonia. Nunca entrou no Brasil, e a vigilância existe para que continue assim.
No Brasil: doença exótica
Situação segundo o Relatório Anual da Defesa Animal 2025 (tabela de focos por doença).
Biosseguridade no sítio
Cinco portas por onde a peste entra
Abra cada porta para ver como fechá-la. Nada disso custa caro, e é o que protege a criação.
- 1
Lavagem com resto de comida
Como fechar: não dê aos porcos restos de comida com carne, embutidos ou restos de restaurante. É assim que a peste suína africana chega a lugares novos no mundo todo: o vírus sobrevive meses na carne.
- 2
Porco comprado sem GTA
Como fechar: só compre animal com Guia de Trânsito Animal, de origem conhecida. Deixe o animal novo separado dos outros por alguns dias antes de juntar.
- 3
Lixão e aterro por perto
Como fechar: porco não pode ser criado solto nem se alimentar em lixão. Em 2025 a ADAGRO fez busca ativa em lixões e aterros do Estado por causa desse risco.
- 4
Contato com porco solto ou javali
Como fechar: mantenha a criação cercada. Porco asselvajado e javali levam doença de um sítio a outro sem ninguém ver.
- 5
Gente e carro de fora
Como fechar: limite quem entra no chiqueiro. Botas e roupas só da criação, e veículos longe dos animais. Quem vem de outra criação traz o vírus no sapato.
Notificação imediata
Porco doente ou morrendo? Avise na hora.
Você não precisa saber qual é a doença. Comunique a ADAGRO quando vir:
- Febre alta, porco parado e sem comer
- Manchas vermelhas ou roxas na pele, principalmente nas orelhas e na barriga
- Aborto, leitões nascendo fracos ou mortos
- Tremores, andar cambaleando, convulsão
- Bolhas no focinho e nos cascos
- Muitos animais morrendo de uma vez
Até a ADAGRO chegar
- Não venda, não abata e não transporte os animais.
- Não descarte carcaças nem restos sem orientação.
- Segure a entrada de pessoas, veículos e equipamentos.
- Não coloque animais novos na criação.
Foi assim em Canhotinho, em 2024. Suínos com bolhas foram notificados, a ADAGRO investigou, a febre aftosa foi descartada e o laboratório confirmou Senecavírus A, o primeiro caso do Estado. O foco foi resolvido.
Trânsito e certificação
Movimentar e vender reprodutores
Todo porco que muda de propriedade precisa de GTA. Quem vende reprodutores precisa ir além e ter a granja certificada.
Para todos
Guia de Trânsito Animal
A GTA acompanha qualquer movimentação de suínos: venda, abate, feira ou mudança de sítio. Ela mostra de onde o animal saiu e para onde foi, e é com ela que a ADAGRO rastreia um foco. O MAPA mantém um manual com os procedimentos para o trânsito de suídeos.
Para quem vende reprodutores
Granja de Reprodutores Suídeos Certificada (GRSC)
A granja que vende reprodutores precisa ser certificada pelo Serviço Veterinário Oficial, com biosseguridade avaliada e exames periódicos. Desde 2025 as regras estão na Portaria SDA/MAPA nº 1.358/2025, que também trata do alojamento temporário e do trânsito de reprodutores.
Para consultar
Normas, planos e fichas técnicas
O PESS segue o Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos. Documentos atualizados na página do PNSS no MAPA.
Normas 6 documentos
- IN MAPA nº 47/2004 Regulamento Técnico do PNSS
- IN MAPA nº 6/2004 Erradicação da peste suína clássica
- IN MAPA nº 50/2013 Doenças de notificação obrigatória
- Portaria SDA/MAPA nº 1.358/2025 Certificação de GRSC e trânsito de reprodutores
- Nota Técnica MAPA nº 7/2026 Aplicação da Portaria 1.358/2025
- Trânsito de suídeos Manual de procedimentos do MAPA
Planos e manuais 4 documentos
Coordenação do programa
PESS · Gerência de Defesa Animal
Coordenadora: Verônica Priscila Fabre.