Programa fitossanitário · Videira

Cancro bacteriano da videira: a única praga quarentenária que já está em Pernambuco

A bactéria Xanthomonas campestris pv. viticola apareceu no Brasil em 1998, no Submédio do Vale do São Francisco, o maior polo de uva de exportação do país. O Programa Estadual de Controle e Erradicação do Cancro Bacteriano da Videira monitora os parreirais, orienta o produtor e elimina focos para que ela não se espalhe.

Quais regras valem para mim? Como reconhecer

  • 1998 primeira detecção no Brasil, no Submédio do São Francisco
  • 4 estados com a praga: PE, BA, RN e RR
  • 3 anos sem variedade suscetível onde um foco foi erradicado
  • 30 dias entre inspeções da área do foco, na época favorável

Fontes: Ministério da Agricultura, página do cancro da videira (atualizada em 30/07/2026) e Instrução Normativa MAPA nº 2/2014.

No parreiral

Onde olhar na planta

Os sinais descritos na ficha oficial do programa. Toque em cada parte. Só o laboratório confirma: na suspeita, avise a ADAGRO.

  • Folha Pontos necróticos, com ou sem halo amarelado, que podem se juntar em manchas maiores.
  • Nervura, pecíolo e ramo Manchas escuras alongadas que viram fissuras negras no sentido do ramo: são os cancros que dão nome à doença.
  • Ráquis e bagas Ráquis com as mesmas manchas escuras; bagas desiguais no tamanho e na cor, às vezes com lesões necróticas.

IN MAPA nº 2/2014

Quais regras valem para o seu parreiral

Pernambuco é estado com ocorrência da praga, mas muitos municípios não têm o cancro. A norma muda conforme o lugar. Escolha o seu caso.

Município onde o cancro já ocorre

Art. 3º, § 1º

  • Poda das variedades mais suscetíveis nos meses de menos chuva
  • Desinfestação de equipamentos, ferramentas de poda e material de colheita após cada uso, com sanitizante recomendado pela pesquisa
  • Eliminação, por enterrio ou queima, de todo o material de poda das variedades suscetíveis e das plantas com sintoma
  • Se a propriedade fica em município sem a praga: barrar pessoas e equipamentos vindos de município com o cancro, sem as medidas de higiene

A ADAGRO: faz levantamentos de detecção e delimitação a cada ciclo produtivo, concentrados nas variedades suscetíveis e na época favorável, e coleta material com sintoma para o laboratório.

Município onde o cancro ainda não chegou

Arts. 2º, § 1º, e 3º, § 3º

  • Usar só material de propagação livre da praga
  • Não deixar entrar pessoas e equipamentos vindos de área com o cancro sem as medidas de higiene
  • Inspecionar as plantas com frequência e comunicar logo à ADAGRO qualquer suspeita

A ADAGRO: a cada ciclo, inspeciona ramos, folhas, inflorescências e cachos em zigue-zague. Até 1 ha, são 6 plantas no meio e 4 na bordadura; de 1 a 5 ha, 12 no meio e 8 na bordadura.

Viveiro de mudas de videira

Art. 4º

  • Viveiro cercado, com entrada restrita a quem trabalha nele
  • Roupas e botas de uso exclusivo no viveiro
  • Desinfestação de equipamentos e ferramentas
  • Inspeção visual de todo o viveiro toda semana, com atenção às variedades suscetíveis
  • Comunicação imediata à ADAGRO de qualquer suspeita

A ADAGRO: inspeciona os campos que fornecem material de propagação. Confirmada a praga por laudo, todo o lote de mudas é queimado.

Foco em área sem a praga

Da suspeita ao talhão liberado

Quando o laudo confirma o cancro num lugar onde ele não existia, a IN nº 2/2014 manda erradicar o foco. As medidas correm por conta do produtor (art. 5º, § 2º).

  1. Suspeita Produtor ou fiscal vê o sintoma; a ADAGRO coleta a amostra.
  2. Laudo Diagnóstico em laboratório da rede oficial do Ministério da Agricultura.
  3. Arranquio e queima Todas as plantas do talhão, ou todo o lote do viveiro, inclusive o mato.
  4. 3 anos Proibido plantar variedade mais suscetível no local.
  5. 2 ciclos de vigilância Inspeção conjunta do talhão e dos vizinhos a cada 30 dias na época favorável e a cada 60 dias no resto do ano.

Prevenção

O seu parreiral está protegido?

Medidas da ficha do programa e da página do Ministério da Agricultura. Toque nas que você já faz.

  • Planto só muda com origem e sanidade comprovadas
  • Desinfeto a tesoura na poda, no raleio e na colheita
  • Podo as variedades suscetíveis no período seco
  • Tenho quebra-vento e pedilúvio na entrada
  • Não uso aspersão nos períodos de chuva
  • Olho o parreiral com frequência e aviso a ADAGRO se vejo sintoma

Vender para fora

Uva e muda de Pernambuco para estado sem a praga

Como Pernambuco tem a praga, material de videira só entra em estado sem ocorrência com PTV e a declaração adicional exata (IN nº 2/2014, art. 6º). A PTV se baseia no CFO.

Uva para consumo in natura

“Os frutos foram produzidos em propriedade onde são adotadas as medidas de prevenção e controle do cancro bacteriano da videira, previstas na legislação fitossanitária”

Mudas

“As mudas foram obtidas por micropropagação e indexadas para Xanthomonas campestris pv. viticola”

Material para pesquisa

“O material foi lacrado na origem, sob número de lacre X, e embalado de maneira a garantir a não dispersão da praga”

Qualquer outro material de videira vindo de estado com a praga não pode entrar em estado sem ocorrência. Veja CFO e CFOC, como solicitar a PTV e os profissionais habilitados.

De olho no que ainda não chegou

Traça-europeia da videira

Lobesia botrana é praga quarentenária ausente do Brasil, mas já está na Argentina, no Chile e nos Estados Unidos. Ataca principalmente a videira. Tem Plano Nacional de Prevenção e Vigilância (IN SDA/MAPA nº 111/2020). Se ela entrar, o Ministério estima pelo menos duas aplicações extras de inseticida por safra, além de restrições à exportação.

Viu lagarta nos cachos ou mariposa diferente no parreiral? Avise a ADAGRO.

Plano nacional da Lobesia

Documentos e base legal

O que sustenta o programa

A ferrugem da videira (Phakopsora euvitis) saiu do nome do programa. Ela não é praga quarentenária: o manejo é do produtor, com fungicida registrado e orientação técnica.

Diretoria de Defesa e Inspeção Vegetal

Gerência de Defesa Vegetal

Suspeita de cancro, orientação sobre o programa e certificação de áreas de uva. No Vale, procure também a Unidade Regional de Petrolina.

(81) 3181-4518 Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Conheça a Defesa Vegetal