Programas sanitários · PEEEB

Vaca louca: o Brasil nunca teve. A vigilância é para continuar assim.

A encefalopatia espongiforme bovina (EEB) não tem cura nem vacina. A forma clássica, a que passa pela ração, nunca foi registrada no país. O Programa Estadual de Prevenção e Vigilância da EEB (PEEEB) investiga todo bovino com sinal nervoso e fiscaliza o que vai para o cocho dos ruminantes em Pernambuco.

Boi com sinal nervoso? Veja o que fazer O que pode no cocho

Mascote do PEEEB: uma vaca de colete da ADAGRO, com escudo e prancheta de vigilância

Boi com sinal nervoso? Avise a ADAGRO em até 24 horas!

  • 2012 ano desde o qual o Brasil é reconhecido pela OMSA como país de risco insignificante
  • 0 casos de EEB clássica registrados no Brasil
  • 24 h prazo para avisar a suspeita e também para o serviço oficial atender
  • 16 bovinos testados para EEB em 2025 em Pernambuco, todos negativos

Fontes: Situação da EEB no Brasil (MAPA), Portaria SDA/MAPA nº 1.180/2024 e Relatório Anual da Defesa Animal 2025.

O que é a EEB

Uma doença que deixa o cérebro do boi como uma esponja

A EEB é causada por um príon, uma proteína defeituosa que se acumula no sistema nervoso e abre buracos no cérebro. O animal passa anos sem mostrar nada. Quando os sinais aparecem, não há tratamento: a doença sempre mata.

A forma clássica se espalha quando o boi come ração com restos de animais contaminados, e também pode passar para as pessoas pela carne. A forma atípica surge sozinha em bovinos velhos e não vem da ração. O Brasil teve 6 casos atípicos, que não mudam o status do país.

A incubação vai de anos: o boi parece saudável enquanto o príon se acumula. Quando os sinais aparecem, não há cura.

Três barreiras contra a EEB

  1. Não deixar entrar Importação de bovinos e de produtos de ruminantes é controlada. Todo bovino importado (exceto para abate imediato) é identificado e acompanhado até o fim da vida. O dono avisa na hora morte, venda, doença, fuga ou furto.
  2. Achar cedo Todo bovino com sinais nervosos ou de comportamento que pioram, caído sem levantar ou morto depois desses sinais entra na vigilância e é investigado.
  3. Não reciclar Nada de proteína animal proibida no cocho de ruminantes. A fiscalização vai a fábricas de ração, lojas e fazendas e pode coletar amostras.

Teste rápido

Pode ou não pode no cocho do boi?

A IN MAPA nº 8/2004 proíbe proteínas e gorduras de origem animal na alimentação de ruminantes (bovinos, búfalos, cabras e ovelhas). A Portaria SDA/MAPA nº 1.180/2024 lista as exceções. Escolha a sua resposta em cada cartão.

  • Cama de aviário Proibido Tem restos de ração, penas e fezes de frango. A IN 8/2004 cita a cama de aviário pelo nome.
  • Palma forrageira Pode Alimento vegetal. É a base do cocho no Semiárido.
  • Farinha de carne e ossos Proibido Foi assim que a vaca louca se espalhou na Europa. Só serve para aves, suínos e peixes.
  • Leite e soro de leite Pode Leite e derivados estão entre as exceções da Portaria 1.180/2024 (art. 18).
  • Ração de cachorro ou gato Proibido É feita com proteína de origem animal. Sobra de ração de cão não vai para o boi.
  • Silagem de milho ou capim Pode Volumoso vegetal, sem risco para a EEB.
  • Resíduo de criação de porcos Proibido Também citado pelo nome na IN 8/2004.
  • Farinha de ossos calcinados Pode Queimada, sem proteína nem gordura. É exceção prevista em norma.
  • Farinha de peixe ou de penas Proibido Proteína de origem animal, mesmo sem vir de bovino.
  • Farelo de soja ou torta de algodão Pode Proteína vegetal. É a troca certa para a proteína animal.
  • Ração de frango ou de porco Proibido Costuma levar farinha de origem animal. Se o rótulo diz que é proibido para ruminantes, não vai no cocho.
  • Ração e sal mineral para bovinos Pode Produto registrado no MAPA e feito para ruminantes. Confira o rótulo e guarde a nota.

Guarde rótulos e notas fiscais da ração: na fiscalização, a ADAGRO confere o que é dado aos ruminantes e como é armazenado. Resultado positivo para proteína de ruminante leva às sanções previstas em norma (Portaria 1.180/2024, art. 24).

Notificação em até 24 horas

Boi com sinal nervoso? Não abata, não venda, avise.

Qualquer cidadão é obrigado a comunicar a suspeita de EEB em até 24 horas (Portaria SDA/MAPA nº 1.180/2024, art. 8º). Não precisa ter certeza: raiva e outras doenças dão sinais parecidos, e toda síndrome nervosa é investigada.

  • Medo ou agressividade fora do normal
  • Reação exagerada a toque, barulho ou luz
  • Tremores pelo corpo
  • Andar cambaleante, tropeços e quedas
  • Animal caído que não consegue levantar
  • Morte depois de sinais nervosos

Como notificar Notificar pela internet

Até a ADAGRO chegar

  • Deixe o animal isolado. É obrigação do dono (art. 9º).
  • Não abata, não venda e não transporte o animal.
  • Não enterre nem jogue fora o animal morto: a amostra é colhida dele.
  • Não mexa na boca nem na cabeça sem luva: pode ser raiva.
  • Anote idade, origem, o que ele come e como os sinais evoluíram.

Em 2025, a ADAGRO colheu 48 amostras do sistema nervoso de ruminantes com sinais nervosos. Dos 30 bovinos negativos para raiva, 16 atendiam aos critérios da EEB e foram examinados no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Pernambuco. Todos deram negativo. Em 2026 começa a fiscalização de cochos nas propriedades.

Investigação

Da suspeita ao laudo

O caminho é o mesmo na fazenda e no frigorífico. As medidas na propriedade só terminam quando a EEB é descartada.

  1. Você avisa Em até 24 horas, pelo e-Sisbravet (gov.br) ou em qualquer unidade da ADAGRO.
  2. A ADAGRO vai O serviço oficial atende em até 24 horas: exame do animal e investigação do histórico.
  3. Coleta O veterinário oficial colhe amostra do sistema nervoso do bovino suspeito.
  4. Laboratório A amostra segue na hora para o laboratório nacional de referência do MAPA.
  5. Destino seguro A carcaça do animal amostrado não vira comida nem ração: é inutilizada e enterrada.

Onde o príon se concentra

Por que o status do Brasil vale dinheiro

Se houvesse EEB, estas seriam as partes de maior risco do bovino (Portaria 1.180/2024, art. 25):

  • Íleo distal: os últimos 70 cm do intestino delgado, em qualquer idade
  • Encéfalo, acima de 30 meses
  • Olhos, acima de 30 meses
  • Medula espinhal, acima de 30 meses

Enquanto o Brasil for reconhecido como risco insignificante, frigoríficos e graxarias ficam dispensados de separar e destruir essas partes (art. 26, § 1º), a não ser quando o país comprador exige. Perder o status traria custo novo para toda a cadeia da carne.

Partes de maior risco para a EEB no bovino.

Coordenação do programa

PEEEB · Gerência de Defesa Animal

Coordenadora: Maíra Rodrigues Dourado, fiscal estadual agropecuária e médica veterinária. Ela também coordena o controle da raiva dos herbívoros.

(81) 3181-4516 Este endereço de e-mail está sendo protegido de spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Raiva dos herbívoros Conhecer a GEDA